Pressionado pelos acionistas a deixar a presidência do conselho da BRF, empresário diz que crise não ‘tem nada de anormal’

RIO – “Calma. Não tenho segredo. Quando for falar de BRF, vou falar na frente de todo mundo. Então, não precisam ficar preocupados”, disse o empresário Abílio Diniz — com a tranquilidade de quem sabe que é impossível ignorar o assunto — antes de subir ao palco na abertura da Abras 2018, convenção do setor supermercadista, no início da tarde desta segunda-feira no RioCentro, na Barra da Tijuca, ao ser abordado por um grupo de jornalistas.

Aos 81 anos, ele foi recebido como uma celebridade e homenageado como o único entre os sócios-fundadores da entidade — que faz 50 anos — ainda em atividade. Mais que isso: hoje à frente dos conselhos de administração da Península Participações e da BRF, o empresário é tratado como uma espécie de popstar do varejo.

De pé no palco, exibindo visual jovial e esportivo, com o porte de quem treina diariamente, ao menos duas horas por dia, em contraste com um auditório de engravatados, Abílio respondeu a perguntas sobre a BRF antes da palestra.

— Não posso falar muita coisa sobre a BRF neste momento. Não tem nada de anormal, nada excepcional. Isso acontece nas grandes corporações, ou seja, em grandes empresas que não têm um controlador definido. E no caso da BRF houve uma combinação de maus resultados, proveniente de fatores externos e internos. Isso levou acionistas a se mexerem. Nada de anormal — disse ele, que falou aos presentes antes mesmo da execução do Hino Nacional.

Ele ressaltou que tratará de BRF mais à frente. Inclusive, acrescentou que será “didático” para seus alunos do curso de liderança e gestão. Mas botou parte da conta no mercado:

— Tem sempre uma especulação financeira. É uma grande companhia de capital aberto. (Tem) muita gente se aproveitando do momento, muita gente sabendo que a BRF é uma grande empresa, comprando (ações) agora e pensando: “quem sabe eu posso rentabilizar?”

‘JÁ PASSEI POR MOMENTOS DIFÍCEIS’

Abílio não deixou de reconhecer que é uma fase difícil, mas destacou que tem recebido apoio.

— Muita gente fala para mim de uma maneira carinhosa: “Abílio, estou com você”. E sou muito grato. Mas estou bem. Estou sereno, tranquilo, consciente das minhas responsabilidades como presidente do conselho de administração de uma empresa desse tamanho — disse ele, que considera escrever um terceiro livro sobre suas experiências.

Não perdeu a oportunidade de lembrar que as dificuldades o fortalecem:

— Já passei por enormes momentos difíceis na minha vida. E consegui sair do outro lado aprendendo e mais forte — contou, encerrando o assunto BRF.

Acionistas da empresa, como os fundos de pensão Petros e Previ, pedem mudanças no conselho da BRF após prejuízo recorde de R$ 1,1 bilhão em 2017. O dia “D” será 26 de abril, na assembleia de acionistas.

— Tenho orgulho de dizer que sou um homem da distribuição, um varejista. No varejo, as palavras-chaves são: conveniência, facilidade, simplicidade, rapidez, especialização. Hoje, velocidade é o nome do jogo.

De fato. Abílio entrou voando e foi o centro das atenções. Partiu como chegou, de helicóptero.


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