Durante o mês passado, o Facebook escolheu o Brasil para receber o novíssimo sistema de pagamentos via WhatsApp, um uma parceria que permitirá, inicialmente, que correntistas do Banco do Brasil, Nubank, Sicredi e Woop (conta digital da Sicredi) comecem a utilizar o app para pagamentos digitais.

 

O que muda no seu negócio?

Presente em 92% dos celulares no país e mais de 120 milhões de usuários ativos, o Whatsapp Pay pode se tornar uma revolução no consumo do varejo, diferente de seus concorrentes como PicPay, PagSeguro, MercadoPago, que tem como desafio o download do app pelo maior número possível de usuários, além da tarefa de se manter relevante a ponto que esses não se tornassem uma opção “deletável” quando o usuário precisasse “ganhar espaço” de armazenamento em seu aparelho.

Apesar de ainda estar em fase de liberação no mercado nacional, o Whatsapp Pay conta com o apoio da MasterCard e Visa para se tornar ativo no país, protocolando dia 08/07, no Banco Central, um modelo de arranjo de transferência para tentar viabilizar o projeto. A diferença dessa tentativa da anterior é que as bandeiras de cartões de crédito criaram um arranjo de transferência dentro do modelo de pagamento, o que aumentam as chances de aprovação.

O possível ponto de disrupção desse modelo é ultrapassar o principal problema no avanço dos pagamentos digitais no país, ou seja, mesmo tendo a maioria da população não bancarizada, a acessibilidade e a facilidade do brasileiro em lidar com esse aplicativo pode beneficiar não só os consumidores, mas também o app, que foi pensado no modelo de pequenas transações cotidianas, fortemente ligado à trocas entre pessoas físicas, ou no mercado de varejo e serviços mais informal.

Porém, o desafio no curto espaço de tempo, é entender se essa população desbancarizada  confiará no projeto a ponto de adotá-lo como meio de pagamento cotidiano. Um outro ponto importante é o acesso quando necessário a esse sistema, o que pode mudar até mesmo a maneira como pensamos no wi-fi do PDV, que passa a ser menos uma questão de serviço, e muito mais uma questão fundamental para os negócios. Não ter sinal de wi-fi pode espantar os novos consumidores.

Ainda que o modelo demore para se popularizar entre os consumidores e os varejistas, isso não minimizará os impactos que o novo modelo trará ao mercado. Uma vez que ele será facilmente disseminado, e terá um uso cada vez maior, haverá uma pressão para que o varejo, mesmo o pulverizado, rapidamente se adeque a aceitar a nova modalidade de pagamento.

É possível que a adoção do Whatsapp Pay aconteça tanto de cima para baixo, começando com a classe alta/média e com varejistas de grande porte, mas que ao mesmo tempo, também tenha um interessante movimento de baixo para cima, com a população mais carente e com o varejo mais pulverizado.

Este lançamento que deve chegar com força em 2021 não só corrobora a importância desse momento para o mercado digital, mas também reforça a urgência das empresas em adotarem estratégias e ações que reforcem sua atuação diante deste novo normal.