Análise da Kantar aponta que arroz e feijão foram os pratos campeões de consumo no segundo trimestre de 2021

 

A pandemia de Covid-19 impactou a renda dos brasileiros. Mesmo com a prorrogação do auxílio emergencial, a quantidade das pessoas que receberam o benefício foi menor, assim como o valor, o que não trouxe um impacto positivo no consumo no último ano. E ainda que a taxa de desemprego esteja estável, 17% dos lares brasileiros contam com ao menos uma pessoa que perdeu o trabalho após o início da pandemia, segundo o estudo LinkQ Covid da Kantar. Dentro desse universo, 80% são lares da classe CDE.

O CEO e especialista em varejo na Unitrier, Lauro Júnior Bueno, explica que embarcada na maior crise sanitária da história, estamos enfrentando uma nova vertical de crise política e principalmente econômica no Brasil, de forma ainda mais latente nos últimos 20 meses. “O reflexo disso tudo é a desvalorização da nossa moeda em âmbitos internacionais, o aumento da taxa de juros, a inflação subindo em disparada, empresas fechando as portas, desemprego aumentando e por fim a queda no poder de consumo da população”.

A pandemia chacoalhou ainda mais o comportamento e as decisões de compra do consumidor. Segundo Bueno, esta jornada deixou de ser previsível ou linear e as categorias de produtos estão cada vez mais elásticas no quesito de posicionamento e venda.

Além disso, os altos preços dos produtos, atrelados a baixa na renda do brasileiro e o comprometimento no poder de consumo, geram um movimento que forçam o consumidor a buscar ainda melhores oportunidades de custo-benefício para realizar suas compras.

De acordo com Bueno, no que diz respeito aos valores gastos com alimentação no auto serviço, um processo natural é a busca e a pesquisa por novos pontos de venda (aumentando ainda mais a competitividade entre os multiformatos de varejo alimentar), e então ganham ainda mais espaço as lojas com conceito de venda baseada em preços baixos X volume, a migração entre marcas de produtos de uma mesma categoria, buscando produtos mais acessíveis e ainda a substituição de produtos (um exemplo claro é a substituição da carne bovina por carne suína e de aves, ou ainda a substituição por embutidos ou em especial, por ovos).

As refeições voltaram ao básico, muito impactadas pelos aumentos de preços vistos nos últimos períodos. Só no primeiro semestre deste ano, o preço médio pago pelos consumidores subiu 11,8%. Sendo assim, pratos como arroz, feijão e bife ou filé com salada foram as opções de escolha dos consumidores entre os que mais cresceram ocasiões de consumo no almoço e jantar dentro de casa. Em contrapartida, a tendência do “preparo mais elaborado” desacelerou fortemente. Houve queda da busca pela farinha de trigo, que vinha se destacando nos últimos estudos e agora perdeu mais de 2,3 milhões de lares compradores. Como resultado, menos bolos (-11,7%) e pães (-9,8%) sendo preparados em casa.

Esse panorama sugere que os próximos meses serão desafiadores e requer preparo dos varejistas para o final do ano e para 2022. “Para a fatia do varejo alimentar (que ocupa exatamente o meio da cadeia de abastecimento: indústria – varejo – consumidor) se manter competitiva no mercado caberá o desafio de buscar melhores negociações nas compras junto aos fornecedores, ser ainda mais eficiente na gestão de custos, equalizar os estoques e otimizar ainda mais a sua capacidade produtiva junto a sua operação, visando equilibrar o repasse das altas nos preços a fatia consumidora, a fim de garantir parte da sua rentabilidade X bom posicionamento num mercado cada vez mais competitivo”, destaca o especialista.

Ele acrescenta, ainda, que se não bastasse a alta nos custos dos insumos, principalmente as matérias primas de origem importada, no Brasil ainda temos que suportar uma carga tributária excessiva e equilibrar tudo isso frente a um mercado competitivo, a fim de atender aos anseios e expectativas do público consumidor.

De acordo com o Consumer Insights, os brasileiros estão procurando categorias mais práticas e convenientes, como batatas congeladas e empanados, que se destacam em todas as classes sociais. Mas outra necessidade que volta a se destacar é a preocupação com a nutrição e saudabilidade. Em todas as refeições – café da manhã, almoço, lanches e jantar – há um aumento da busca por saudabilidade. O estudo mostra que os consumidores mais maduros estão atentos à dieta (26,7%), enquanto lares com mais crianças e adolescentes focam a preocupação na nutrição (9,1%).

Como minimizar os impactos da inflação

Para o CEO da Unitrier, uma gestão estratégica eficiente, movida a resultados e atenta a todos os movimentos de mercado, sem dúvidas é o melhor caminho para minimizar os impactos deste cenário de crise e picos de inflação.

Dicas do Lauro Bueno para tornar a gestão ainda mais eficiente em 2022

Invista na gestão da informação – Além de contar com boas ferramentas de tecnologia, como é o caso dos ERP’s, BI’s e as plataformas de inteligência artificial, invista na gestão de resultados e indicadores da sua loja. Os números, quando trazidos de forma segura, poderão ser grandes aliados na tomada de decisão.

Reveja as suas operações – Aqui vale analisar desde a gestão da equipe, gestão dos processos e prevenção de perdas. Uma operação mais enxuta e saudável, poderá te levar muito mais longe.

Faça um planejamento de custos (orçamento) de curto e médio prazo – Conhecendo o seu potencial de resultado (receita, custos, despesas, lucro e endividamento), fica mais simples entender qual o seu potencial de lucro.

Planeje as suas negociações – Sabemos que o desempenho da lucratividade dos supermercados inicia na negociação.

Uma boa gestão de fornecedores e das compras de produtos, poderão reduzir parte dos impactos de aumento nos preços para os consumidores ao final do processo.

E não esqueça da análise e gestão de categorias continuamente (A curva ABC de venda e lucratividade dos produtos é um grande facilitador para o comercial).

Repense os estoques – É crucial colocar em prática a gestão dos ciclos (operacional, econômico e financeiro), a fim de medir o potencial de redução ou aumento de estoques. O reflexo de um estoque mal planejado são as rupturas excessivas de produtos de alto giro e/ ou ainda os excessos de produtos de baixo giro que podem provocar um alto custo financeiro, impactando negativamente o seu fluxo de caixa.

Esteja muito atento as possibilidades de compras em volume, antes das altas nos preços. Elas poderão ser uma grande oportunidade de ganho financeiro se bem feitas – ou não.

Atenção especial para a precificação – Aqui vale equilibrar: “análise de mercado, por meio das pesquisas entre concorrentes” (cuidado com os multi-formatos e com o seu posicionamento. Não dá para entrar em queda de preços com todo mundo), atenção ainda para as estratégias de ações de vendas e promoções, para os objetivos de margem mínima e ideal frente a cada produto x categoria.

Sempre procure entender, qual está sendo a resposta do consumidor frente a esses posicionamentos.

Caso existam oportunidades de melhora no trabalho de pricing e sinta que a sua estrutura interna não esteja preparada, avalie a possibilidade de contratação de empresa de assessoria/ tecnologia especializada para explorar ao máximo o seu potencial de desempenho.

Por fim, esteja preparado, pois momentos desafiadores, podem ser também momentos geradores de grandes oportunidades e de crescimento.

Lauro Júnior Bueno é CEO e Especialista em Varejo na Unitrier

A Unitrier é líder em assessoria e consultoria voltada a gestão de processos, produtividade e lucratividade para o varejo alimentar no Sul do Brasil, atuando no mercado há 12 anos.