No setor, o Inter tem preferência por nomes do consumo não discricionário, como empresas do varejo alimentar (Imagem: Money Times/Gustavo Kahil)
Apesar da recuperação vista nas vendas do varejo, o time de análise do Inter reforça o tom de cautela para o setor, tendo em vista o cenário macroeconômico mais desafiador (inflação e juros elevados), que, aliado ao período das eleições, deve trazer “volatilidade além do habitual”.

Em abril, as vendas varejistas deram continuidade à trajetória de recuperação, chegando a avançar 0,9% na comparação com março, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a abril do ano passado, a alta foi de 4,5%.

O Inter destaca que, apesar do crescimento nominal do faturamento, as vendas em abril continuaram inferiores ao período pré-pandemia quando descontada a inflação.

Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, diz que o crescimento é “consistente, porém desigual”. Ele também lembra que o impulso do setor vem em grande parte pelos estímulos do governo na economia, como o Auxílio Brasil e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Diante do curto prazo fraco e volátil, o Inter tem preferência por nomes do consumo não discricionário, como empresas do varejo alimentar. Dentro do consumo discricionário, a escolha recai sobre ativos que atendem o público de alta renda, como empresas de moda voltadas às classes A e B e shoppings com portfólios premium.

Médio prazo

A médio prazo, o Inter trabalha com a perspectiva de uma inflação mais contida, com a normalização das cadeias produtivas mundiais, o direcionamento da demanda para serviços e a contratação da massa salarial real e do crédito contribuindo para reduzir a pressão.

“Com isso, esperamos que a demanda volte de forma mais pujante, contribuindo para ainda mais faturamento, porém com ganho de rentabilidade”, conclui a instituição.

Fonte: Money Times, Por Diana Cheng