Café da manhã realizado no Mercado Municipal de Curitiba reuniu representantes do varejo, indústria e demais elos da cadeia de frutas, legumes, verduras, flores e ovos
A APRAS foi apoiadora do Café da Manhã IFPA Curitiba, realizado no dia 17 de setembro, no Mercado Municipal de Curitiba. O encontro reuniu representantes do varejo, indústria e demais elos da cadeia de frutas, legumes, verduras, flores e ovos para discutir estratégias para ampliar o consumo, reduzir perdas e gerar mais valor e rentabilidade no setor. A APRAS participou da programação com o presidente Harri Pankratz, um dos palestrantes, e o superintendente Maurício Bendixen, que participou da abertura.

Promovido pela International Fresh Produce Association (IFPA), o encontro abordou temas como qualidade, conveniência, segurança dos alimentos, mudanças climáticas, sustentabilidade, previsibilidade de demanda e comportamento do consumidor.
Durante o painel, Harri Pankratz destacou que um dos principais desafios do varejo é não focar excessivamente no preço e deixar a qualidade em segundo plano. “O erro mais comum é focar em preço, ao invés de qualidade”, afirmou. Segundo ele, o FLV deixou de ser apenas uma seção obrigatória dos supermercados e passou a exercer um papel estratégico na diferenciação das lojas e na fidelização dos consumidores.
“Hoje o FLV é um setor destino do consumidor. É um setor muito importante, que está nas lojas e cresce cada vez mais. E o consumidor quer mais serviço”, afirmou Harri. Para ele, qualidade, procedência e disponibilidade adequada são fundamentais para melhorar a experiência de compra. O presidente da APRAS também ressaltou a importância da relação entre compradores e fornecedores. “Tem que ser uma parceria dos dois lados”, disse, defendendo comunicação aberta e responsabilidade compartilhada para que o produto chegue ao ponto de venda com a qualidade esperada.

A gerente nacional da IFPA no Brasil, Valeska Oliveira, apresentou dados sobre o mercado global e destacou a participação brasileira na entidade. Segundo ela, a IFPA reúne cerca de 3 mil empresas no mundo, e o Brasil é o segundo país com maior número de associados, à frente de México, Canadá e Chile.
Valeska chamou atenção para o potencial de crescimento do consumo de frutas, legumes e verduras e destacou a recomendação da Organização Mundial da Saúde de 400 gramas desses alimentos por dia. “O que eu trago para vocês é uma provocação: da gente tangibilizar esses 400 gramas. O que são 400 gramas?”, questionou. Para ela, aproximar essa recomendação da realidade cotidiana do consumidor pode ajudar a tornar o consumo mais acessível e compreensível.
A executiva também abordou as perdas ao longo da cadeia. Segundo dados apresentados por ela, entre 30% e 40% da produção de frutas e vegetais é perdida entre a colheita e o consumidor. “Individualmente não podemos ter sucesso, ou pelo menos não podemos ter sucesso por longo tempo. Os negócios precisam ser longevos”, afirmou, defendendo maior integração entre os diferentes elos da cadeia.
Entre os desafios globais do setor, Valeska citou mudanças climáticas, segurança dos alimentos, falta de mão de obra e sustentabilidade. “Todos nós que atuamos com FLV temos uma empresa a céu aberto”, afirmou, em referência à dependência do setor em relação às condições climáticas.
O presidente do Conselho da IFPA Brasil, Alex Lee, destacou a importância da troca de conhecimento entre mercados e da aproximação entre fornecedores e grandes redes supermercadistas de diferentes países. Ele também chamou atenção para a segurança dos alimentos e os impactos que problemas nessa área podem provocar sobre o consumo de frutas e vegetais.
A conveniência foi um dos principais pontos levantados por Helton Parizotto, CEO da Rede Fresh Mais e fundador do Grupo Parizotto. Para ele, é preciso considerar toda a jornada do produto, da produção à chegada ao ponto de venda. “A conveniência hoje, para mim, é fundamental”, afirmou.
Helton também destacou a importância de alinhar a previsibilidade da demanda com o estoque. “Um dos grandes desafios que vai fazer a gente ter sucesso na relação é casar a previsibilidade de demanda com o estoque”, disse. Segundo ele, o trabalho conjunto entre produtor, indústria e varejo é essencial diante da perecibilidade dos produtos.
Já Enrico Milani, CEO da Vapza Alimentos, abordou o papel da indústria na oferta de produtos mais práticos e adequados aos novos hábitos de consumo. Ele destacou a busca por porções menores e individuais como uma oportunidade para facilitar o consumo e reduzir desperdícios.
“O nosso grande desafio hoje é que o consumidor experimente o nosso produto e entenda que, apesar de a gente ser uma indústria, não adiciona nada a mais no produto”, afirmou Enrico, ao falar sobre a necessidade de informação e experimentação para ampliar a confiança em alimentos processados.
O executivo também destacou o uso de dados de sell-out e ferramentas de inteligência artificial para aprimorar o planejamento da produção. Para ele, a integração de informações entre os diferentes elos pode contribuir para aproximar oferta e demanda. “Com as ferramentas que existem de inteligência artificial, você consegue conectar todo o teu planejamento de produção. E aí, com o tempo, você vai conseguindo conectar toda a cadeia”, afirmou.