Consumo em transformação: principais tendências que vão continuar marcando o varejo alimentar em 2026 | JValério

Consumo em transformação: principais tendências que vão continuar marcando o varejo alimentar em 2026

10/02/2026

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O ano de 2025 foi marcado por mudanças no comportamento de compra do brasileiro: a queda do consumo, mesmo com a renda média crescimento no país, revela um consumidor mais cauteloso e seletivo. No Brasil, o varejo alimentar avançou +4,1% em faturamento em comparação a 2024, com uma queda de –2,1% nas unidades vendidas, com 66% da queda concentrada nas cestas de mercearia e bebidas alcoólicas -, evidenciando um cenário em que o aumento de preços (+6,3% no preço médio por unidade) foi o principal vetor de crescimento. Os supermercados se destacaram, com alta de +5% no faturamento, impulsionada pela menor queda em unidades (-1,2%), enquanto os atacarejos mantiveram o crescimento em +2,6%, com -3,4% de queda em unidades.

 

No Paraná, o varejo alimentar registrou crescimento de +6,1% em faturamento, superando a média nacional, com retração de –1,6% nas unidades, revelando um consumo mais contido no estado. O impacto de mercearia e bebidas alcoólicas foi maior no Paraná, que somam 84% da queda de unidades. O avanço no faturamento foi sustentado pelo repasse de preços, com alta de +7,8% no preço médio por unidade. No estado, os supermercados se destacaram com +6,2% de aumento no faturamento, enquanto os atacarejos atingiram +5,8% de aumento.

Algumas mudanças de comportamento que observamos em 2025 continuarão a fazer parte da jornada de compra do brasileiro em 2026, que busca equilíbrio entre economia e indulgência.

Trade up e trade down

O consumidor brasileiro passou a reorganizar seus gastos para otimizar o orçamento, realizando trade-down em itens essenciais, como mercearia básica, e migrando para alternativas mais acessíveis dentro de categorias de maior valor agregado. Nesse contexto, em amaciantes concentrados, considerados uma opção premium em relação às versões regulares, as marcas de menor preço ampliaram participação em +2,9 p.p., enquanto no sabão líquido esse ganho foi de +1,9 p.p. Ao mesmo tempo, o trade up ganhou força em categorias ligadas à satisfação e ao bem-estar: as bebidas alcoólicas premium cresceram +2,1 p.p., sendo +2,3 p.p. em cervejas premium; e em perfumaria, as marcas premium se destacaram com forte alta em leave-in (+16,7 p.p.) e tratamentos capilares (+4,4 p.p.). O movimento mostra um consumidor que economiza onde pode, mas investe onde enxerga mais valor.

Saúde e bem-estar

A busca por performance, equilíbrio e bem-estar deixou de ser pontual e passou a orientar as decisões de compra: a chamada “era fitness” se consolidou como padrão de consumo, impulsionando categorias ligadas à funcionalidade e praticidade no varejo alimentar. Entre janeiro e outubro, produtos de alta performance registraram crescimentos expressivos em volume, como whey protein (+124%), creatina (+89%), cereais proteicos (+21%), iogurtes proteicos (+16%), pré e pós-treino (+16%) e leites proteicos (+14%).

Novas socializações e prioridades no consumo

Há também uma mudança na forma como o brasileiro socializa: encontros leves e diurnos cada vez mais tomam o lugar de baladas e eventos noturnos. Entre janeiro e outubro, o café premium cresceu +8,1% em volume, enquanto categorias associadas a consumo mais equilibrado e com menos calorias, como licores (+5,3%), misturas alcoólicas (+6,4%), aperitivos (+3,4%) e espumantes (+3,8%). Paralelamente, as versões “zero” de bebidas não alcoólicas ganharam força, com energéticos sem açúcar (+56%), cervejas de baixa caloria (+40%), cervejas zero álcool (+10%) e refrigerantes sem açúcar (+33%), tendência que deve se intensificar em 2026.

Economia x indulgência

O mercado de beleza e autocuidado segue em forte expansão na América Latina, com crescimento estimado em 7% ao ano, acima da projeção global de 5%, de acordo com a McKinsey (ConsumerWise – Pesquisa Global da McKinsey de Percepção do Consumidor 2022-2025). Esse movimento gera um contraste claro no varejo alimentar: categorias básicas recuam em volume, enquanto itens complementares avançam de forma acelerada. Entre janeiro e outubro, shampoo retraiu 10% em volume, ao passo que finalizadores capilares crescem 13% e os óleos capilares crescem 38%. No cuidado corporal, sabonete em barra (-7%) e desodorante aerossol (-10%) perdem espaço, enquanto esfoliantes corporais (+39%), pós-sol (+14%) e protetor solar (+12%) avançam. Em higiene bucal, o creme dental comum recua 4% e a escova dental cai 2%, enquanto o antisséptico bucal cresce 4%.

Canais em expansão

Após um longo período de expansão no Brasil, o atacarejo entra em uma fase de maior maturidade e passa a buscar novos vetores para sustentar o crescimento. Hoje, 51,8% do volume do canal ainda está concentrado em missões de abastecimento, mas a queda de –2,7% nas unidades vendidas em mesmas lojas tem levado as redes a ampliar o sortimento e ganhar relevância em compras de reposição e no dia a dia do consumidor. No acumulado até outubro de 2025, categorias como frutas in natura (+6%), peixes (+10%) e legumes (+10%) passaram a crescer acima da média do canal. Esse movimento também acontece nas categorias de cuidados pessoais e bem-estar, com destaque para suplementos para academia (+141%), pigmentos capilares (+36%) e protetores solares (+32%), reforçando a transformação do formato, que mantém a eficiência operacional, mas passa a competir também por conveniência, variedade e experiência.

Já o canal digital continua na jornada de expansão, com um crescimento 4x maior que o canal físico do varejo alimentar no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, consolidando o digital como um motor relevante de geração de valor e não apenas como canal complementar ao físico. O avanço é mais forte em categorias de maior valor agregado e recompra previsível, como higiene pessoal, fraldas, papel higiênico, bebidas premium (whisky, gin e licores) e itens de reposição recorrente, como sabão, amaciante e detergente líquido. Ao mesmo tempo, o canal físico mantém papel central em categorias que exigem frescor, imediatismo e experimentação, como frutas, legumes e verduras. Esse cenário torna a integração entre canais um fator decisivo para atender um consumidor cada vez mais digitalizado e sustentar a evolução do varejo alimentar nos próximos anos.

*A Scanntech se diferencia no mercado de inteligência de dados por atuar diretamente na origem da informação. É líder em inteligência de dados para o varejo e a indústria na América Latina, com uma base extremamente robusta: analisa mais de 13,5 bilhões de tickets de compra e monitora mais de 1 trilhão de reais em vendas, o que garante uma cobertura aproximada de 85% do varejo alimentar brasileiro, incluindo supermercados e atacarejos.

O principal diferencial está na forma como esses dados são capturados. Diferentemente de institutos que trabalham com pesquisas amostrais ou projeções estatísticas, a Scanntech possui conexão direta com os sistemas de checkout dos varejistas, por meio de APIs. Isso permite capturar dados reais de venda, exatamente no momento em que a compra acontece, refletindo com precisão o comportamento do consumidor no ponto de venda.

Essa abordagem tecnológica possibilita a entrega de informações confiáveis e em tempo quase real, oferecendo ao varejo e à indústria uma visão mais clara sobre tendências de consumo, performance de categorias e movimentos de mercado. Com isso, seus clientes conseguem tomar decisões mais rápidas, estratégicas e embasadas, reduzindo incertezas e antecipando oportunidades em um ambiente cada vez mais dinâmico.

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