Apesar de ser um evento voltado para tecnologia, a NRF 2023 bateu muito forte no capital humano das empresas. Em webinar realizado pela Apras sobre o evento, um dos participantes, Clemente Bahniuk, que é diretor da Apras e presidente da rede Bahniuk, destacou que o setor precisa levar em consideração tudo o que foi vivido durante a pandemia para cuidar da saúde mental dos seus colaboradores, o que impactará diretamente na redução do turnover.

Outro participante do webinar, Rafael Haddad, diretor na Amo Varejo e que trabalha com formação de líderes e gerentes, disse que os norte-americanos costumavam valorizar mais a tecnologia, mas que na NRF deste ano viu que eles estão com o olhar mais direcionado para as pessoas, até mesmo porque perceberam que os resultados estão sendo prejudicados. “Estão investindo em programas de treinamento, desenvolvimento, motivação e estão trazendo alternativas como o dia da massagem e confraternização. Estamos com escassez de mão de obra. Até 2030, a mesma dificuldade que temos em contratar açougueiros teremos para contratar para qualquer função”.

Além da falta de mão de obra, nesta viagem para os Estados Unidos, Haddad se deparou com a falta de preparo dos colaboradores. “As pessoas estão mais vulneráveis, ansiosas e os gestores nem sempre estão preparados de maneira compatível com o que o cargo exige”.

Antigamente, o setor não sofria com falta de mão de obra, por isso, nem sempre os supermercadistas valorizavam seus funcionários ou os enxergava como um ativo. “Agora o jogo mudou e se não tratar bem e cuidar das pessoas, perde elas e não encontra outra para substituir”, explica Haddad.

O profissional conta que o recrutamento mudou muito. Antes, buscavam pessoas pela competência técnica e experiência, mas em um cenário em que 90% das pessoas são demitidas em função de problemas de comportamento, é necessário rever os requisitos na escolha de um profissional. “Hoje, temos liberdade para contratar pessoas pelo comportamento e treiná-las. Às vezes, ter um propósito e uma cultura parecida com a sua empresa vale mais do que a experiência”.

Bahniuk sugeriu trabalhar com a inclusão e a diversidade. “Às vezes falam de não usar brinco ou tatuagem, mas será que não teremos que quebrar os nossos tabus e mudar a nossa visão? Temos que nos reinventar e gerar interesse nas gerações mais novas, mostrando as oportunidades que temos”.

Ele faz ressalva de que as regras precisam ser mantidas, apesar das mudanças. “Temos que nos adaptar, mas devemos ter regras claras e limites para tudo, porém sempre respeitando a opinião alheia”.

Para lidar com a diversidade, Haddad recomenda que tenha ao menos um treinamento ao mês. “Não negligencie isso. A diversidade funciona desde que tenha cultura alinhada e ambiente que faça as pessoas progredirem”, completa.